O Reino Plantae, Metaphyta ou Vegetabilia (Vegetal) é um dos maiores grupos de seres vivos na Terra (com cerca de 400.000 espéciesconhecidas, incluindo uma grande variedade de ervas
, árvores
, arbustos
, plantas microscópicas, etc). São, em geral, organismos autotróficos
cujas células incluem um ou mais organelos especializados na produção de material orgânico a partir de material inorgânico e da energia solar, oscloroplastos
.
No entanto o termo
planta, ou
vegetal, é muito mais difícil de definir do que se poderia pensar.
Lineu definiu o seu
reino Plantae incluindo todos os tipos de plantas "superiores", as
algas e os
fungos. Depois de se descobrir que nem todas eram
verdes, passou-se a definir planta como qualquer ser vivo
sem movimentos voluntários. Aristóteles dividia todos os seres vivos em plantas (sem capacidade motora ou órgãos sensitivos), e em animais - esta definição foi aceite durante muito tempo. No entanto, nem esta definição é muito correcta, uma vez que a
sensitiva (
Mimosa pudica, uma
leguminosa), fecha os seus
folíolos ao mínimo toque, entre outras causas, como o fim do
dia solar.
Quando se descobriram os primeiros seres vivos
unicelulares, eles foram colocados, em termos gerais, entre os
protozoários quando tinham movimento próprio. As bactérias e as algas foram colocadas noutras divisões do reino Plantae – no entanto, foi difícil decidir a classificação, por exemplo, de algumas espécies do gênero
Euglena, que são verdes e altamente móveis.
Pode-se, então, definir o
Reino Viridaeplantae ("plantas verdes") ou apenas
Plantae como um grupo
monofilético de organismos
eucarióticos que fotossintetizam usando os tipos de clorofila
a e
b, presente em
cloroplastos (
organelos com uma membrana dupla) e armazenam os seus produtos fotossintéticos, tal como o
amido. As
células destes organismos são, também, revestidas duma parede celular constituída essencialmente por
celulose.
Cerca de 300 espécies conhecidas de plantas não realizam a fotossíntese, sendo, pelo contrário parasitas de plantas fotossintéticas.
Definição de planta
Aristóteles (384 a C - 322 a C) classificou os organismos vivos em dois grandes grupos – plantas e animais. Esta maneira de classificar a diversidade de formas de vida permaneceu praticamente inalterada até o início do século XX . Lineu (1707-1778) criou a base do moderno sistema de classificação biológica, atribuindo a esses dois grupos o nível hierárquico de Reino Vegetabilia (mais tarde Metaphyta ou Plantae) e o reino Animalia (também chamado Metazoa). Até a metade do século XIX, ainda se dividiam os seres vivos em dois grandes reinos — animal e vegetal. Nessa época, entretanto, muitos cientistas perceberam que certos organismos, como as bactérias, os
mixomicetos e os fungos diferiam das plantas e dos animais. Ao longo do tempo foram propostos novos reinos para acomodar estes organismos . Segundo a classificação proposta por Lynn Magulis os reinos da vida são:
monera,
protoctista,
animalia,
fungi e plantae .
Atuais definições de Plantae:
Quando o nome Plantae ou planta é aplicado a um grupo específico de organismos, geralmente refere-se a um dos três conceitos abaixo:
| Nome(s) | Escopo | Descrição |
| Plantas terrestres, também conhecidas como Embriófitas ou Metaphyta | Plantae sensu strictissimo | Este grupo inclui todas as plantas que formam embrião. As embriófitas são multicelulares, realizam fotossíntese, possuem clorofila a e b, a substância de reserva é o amido, a parede celular é composta de celulose e hemicelulose, seu ciclo de vida é Diplobionte Heteromórfico, são oogâmicas e as células reprodutivas estão protegidas por um tecido formado por células estéreis (gametângios e esporângios). Portanto são Embriófitas:briófitas, pteridófitas, gimnospermas e angiospermas. |
| Plantas verdes- também conhecidos como Viridiplantae, Viridiphyta ou Chlorobionta. | Plantaesensu stricto | Este grupo inclui Plantae sensu strictissimo e alguns grupos de algas verdes (Coleochaete e Charophyta). Viriplantae engloba organismos que possuem clorofila a e b, têm plastídios que são envolvidos por duas membranas, armazenam amido, a parede celular é composta de celulose e hemicelulose. Este grupo tem cerca 300.000 espécies . |
| Archaeplastida, Plastida ou Primoplantae. | Plantaesensu lato | Este grupo inclui além do grupo definido como Viriplantae (Plantae sensu stricto) as demais algas verdes (Chlorophyta), as Rhodophyta (algas vermelhas) e Glaucophyta. Este clado inclui organismos que há Eras atrás adquiriram os cloroplastos pela fagocitose direta de cianobactérias . |
Fica claro que não há ainda um consenso sobre a definição de “quem são as plantas”. A história evolutiva das plantas ainda não está completamente resolvida, mas um relacionamento o esquema abaixo resume as três formas propostas descritas acima. Cada uma das definições apresentadas no quadro acima estão em negrito .
| Archaeplastida (Plantae sensu lato) |
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| Viridiplantae (Plantae sensu stricto) |
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| Streptophyta |
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streptophyte algae (parte de algas verdes)
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Charales (muitas vezes incluídos em algas verdes)
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Embriófitas
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A maneira em que os grupos de algas verdes são combinados e nomeados varia consideravelmente entre os autores .
4 7 . Para os botânicos junto com a autora Lynn Margulis são consideradas plantas apenas o grupo das Embriófitas
3 4 . O restante pertence ao reino Protoctista.
A maioria das
algas não são mais classificadas como pertencentes ao Reino Plantae. As algas compreendem diferentes grupos de organismos que produzem energia através da
fotossíntese, cada um dos quais evoluindo independentemente de ancestrais não-fotossintéticos diferentes. As mais conhecidas são as
macroalgas, algas multicelulares que podem se assemelhar vagamente a plantas terrestres, mas classificadas como algas
verdes,
vermelhas e
castanhas. Cada um destes grupos inclui também vários organismos microscópicos e unicelulares.
Apenas dois grupos de algas são considerados parentes próximos das plantas terrestres
Embryophyta. O primeiro destes grupos, as
Charophyta, deu origem às plantas terrestres.O grupo irmão do conjunto das carófitas e embriófitas, é o outro conjunto de algas verdes, as
Chlorophyta, e este grupo mais extenso é colectivamente designado por plantas verdes ou
Viridiplantae. O Reino Plantae é considerado como sinónimo deste grupo
monofilético. Com algumas excepções entre as algas verdes, todas as formas possuem
paredes celulares contendo
celulose, possuem
cloroplastoscontendo
clorofila "a" e "b" e e armazenam alimento na forma de
amido. Efectuam
mitose de forma fechada, sem
centríolos e as suas
mitocôndriaspossuem cristas tipicamente achatadas.
O cloroplasto das algas verdes está rodeado por duas membranas, sugerindo que teve a sua origem por
endossimbiose directa de
cianobactérias. O mesmo é verdadeiro para dois grupos adicionais de algas:
Rhodophyta (algas vermelhas) e
Glaucophyta. Pensa-se que estes três grupos têm uma origem comum, por isso são classificados juntos no
taxon Archaeplastida. Por outro lado, a maioria das outras algas (
Heterokontophyta,
Haptophyta,
dinoflagelados e
Euglenophyta), possuem cloroplastos com três ou quatro membranas envolventes. Não são parentes próximos das plantas verdes e provavelmente adquiriram os cloroplastos indirectamente através da ingestão ou simbiose com algas verdes ou vermelhas.
Durante o
Paleozóico, começaram a aparecer em terra firme plantas complexas,
multicelulares, os
embriófitos (
Embryophyta), nas quais o gametófito e o esporófito se apresentavam de forma radicalmente diferente das algas, o que está relacionado com a adaptação a ambientes secos (já que os gâmetas masculinos estavam antes dependentes de meios húmidos para se moverem). Nas primeiras formas destas plantas, o esporófito mantinha-se reduzido e dependente da forma parental durante a sua curta vida. Os
embriófitos actuais, que têm este tipo de organização, incluem a maior parte das plantas que geralmente evocamos. São as chamadas plantas vasculares, com sistemas completos de
raiz,
caule e
folhas, ainda que incluam algumas espécies de briófitas (das quais o musgo será talvez o tipo mais conhecido). Outros autores, contudo, definem os embriófitos como sendo todas as plantas terrestres, incluindo, de acordo com esta definição, a divisão '
Hepaticophyta (ou Marchantiomorpha, segundo uma classificação anterior), as hepáticas; a divisãoAnthocerophyta, antóceros e a divisão Bryophyta, os musgos.
As briófitas confinam-se a
ambientes húmidos – é a água que faz a dispersão dos
esporos - e mantêm-se pequenas durante todo o seu ciclo de vida caracterizado pela alternância de duas gerações: um estádio haplóide (o gametófito) e um estádio diplóide (esporófito). Este último é de curta duração e está dependente do gametófito.
No período
Silúrico apareceram novos embriófitos, as plantas vasculares, com adaptações que lhes permitiam estar menos dependentes da água. Estas plantas tiveram uma
radiação adaptativa maciça durante o
Devónico e começaram a
colonizar a terra firme. Entre essas adaptações podemos referir uma
cutícula resistente à dessecação e
tecidos vasculares por onde circula a água – por isso são chamados
plantas vasculares ou
Tracheophyta.as
"Pteridófitas" - plantas em que o gametófito é um organismo independente, como as samambaias e a cavalinha; eEm muitas destas plantas, o
esporófito funciona como um indivíduo independente, enquanto que o gametófito se tornou muito reduzido. Entre as plantas vasculares são reconhecidos dois grupos distintos:
as "Espermatófitas" - as plantas que se reproduzem por semente, ainda ligadas ao esporófito, ou seja, em que o gametófito é "parasita" do
O grupo das Pteridófitas pode dividir-se da seguinte forma:
Divisão Cycadophyta (Cicadáceas, como o sagu-de-jardim)As espermatófitas ou plantas com sementes são um grupo de plantas vasculares que se diversificou no final do Paleozóico. Nestas formas, o gametófito está reduzido aos órgãos sexuais e o esporófito começa a sua vida como uma semente, que se desenvolve ainda dependente da planta-mãe. Os grupos actuais de espermatófitos incluem as seguintes divisões:
Uma classificação ainda usada para estes grupos de plantas usa os seguintes termos:
As angiospérmicas foram as últimas plantas a aparecer, durante o Jurássico, mas tiveram o seu maior período de propagação no Cretácico, sendo, actualmente, plantas predominantes em muitos ecossistemas.
Diversidade
Reprodução das plantas
Na maioria das espécies de plantas verdes, os indivíduos podem reproduzir-se tanto assexuada (agâmica) como sexuadamente (reprodução gâmica, ou por meio de gâmetas).
Assexuadamente, as plantas se reproduzem através da separação de partes do indivíduo que podem dar origem a novos indivíduos. Neste processo, não há recombinação genética, e portanto os descendentes são geneticamente iguais aos "pais", podendo ser considerados clones de um indivíduo. A reprodução assexuada nas plantas ocorre de várias maneiras: por brotamento (ou gemulação), por fragmentação, pela formação de estolhos, e poresporulação. Na esporulação podem se formar células especiais os esporos que podem ser aplanósporos (normalmente transportados pelo vento ou por animais) ou zoósporos (móveis) com dois ou mais flagelos.
O homem tirou partido desta capacidade de reprodução assexuada nas plantas, desenvolvendo métodos especializados de multiplicação, como aestaquia, alporquia e enxertia.
A reprodução sexuada nas plantas verdes ocorre normalmente com alternância de gerações, em que ocorre um esporófito (o indivíduo "adulto" nasplantas vasculares) e um gametófito – o indivíduo que produz os gâmetas – que pode ser "parasita" do esporófito, como nas espermatófitas ou ter vida independente. Nas plantas verdes aquáticas (por exemplo, as Chlorophyta e Charophyta, ou algas verdes) existe a produção de gâmetas móveis, podendo o processo ser por isogamia (gâmetas iguais) ou oogamia (gâmetas "femininos" grandes e imóveis e masculinos, móveis).
Nutrição nas plantas
Entre os elementos químicos essenciais para as plantas, chamados macronutrientes, encontram-se o nitrogénio, o fósforo, o magnésio (constituinte da clorofila), o cálcio, o potássio e o enxofre. Além destes elementos principais, há outros que, apesar de serem absorvidos em pequenas quantidades, são igualmente indispensáveis à saúde das plantas, como o boro e o cobalto; estes minerais são chamados micronutrientes.
Relações ecológicas
Inúmeros animais evoluíram junto com as plantas. Muitos animais polinizam flores em troca de alimentos sob a forma de pólen ou néctar. Muitos animais dispersam sementes, muitas vezes por comer frutos e passar as sementes em suas fezes. Mirmecófitas são plantas que evoluíram comformigas. A planta fornece uma casa e às vezes comida para as formigas. Em troca, as formigas defendem as plantas dos herbívoros e em algumas vezes das plantas concorrentes. Os resíduos das formigas fornecem fertilizantes orgânicos.
A maioria das espécies de plantas têm vários tipos de fungos associados aos sistemas de sua raiz em uma espécie de simbiose mutualísticaconhecida como micorriza. Os fungos ajudam as plantas a obterem água e nutrientes minerais do solo, enquanto a planta fornece aos fungos carboidratos produzidos na fotossíntese. Algumas plantas servem como residências para fungos endófitos que protegem a planta de herbívoros através da produção de toxinas. O fungo endófito Neotyphodium coenophialum, em uma espécie de festuca (Festuca arundinacea) causa danos econômicos enormes para a indústria de gado nos Estados Unidos.
Várias formas de parasitismo também são bastante comuns entre as plantas, desde o semi-parasitário
visco, que se limita a alguns nutrientes de seu hospedeiro, mas ainda tem as folhas fotossintetizantes, até as inteiramente parasitárias
orobanche e
Lathraea, que adquirem todos os seus nutrientes por meio de conexões com as raízes de outras plantas, e assim não tem
clorofila. Algumas plantas, conhecidas como mico-heterótrofos, parasitam fungos micorrízicos e, portanto, atuam como epiparasitas em outras plantas.
Muitas plantas são
epífitas, o que significa que crescem sobre outras plantas, geralmente árvores, sem parasitá-las. Epífitas podem indiretamente prejudicar a sua planta hospedeira, interceptando nutrientes minerais e luz que a anfitriã em outra situação receberia. O peso de um grande número de epífitas pode quebrar galhos de árvores.
Hemiepífitas como o estrangulador de
figueira começam como epífitas, mas acabam estabelecendo suas próprias raízes e dominando e matando seu hospedeiro. Muitas
orquídeas,
broméliass,
samambaias e
musgos geralmente crescem como epífitas. Bromélias epífitas acumulam água nas axilas das folhas para formar um
fitotelmo, complexa cadeia alimentar aquática.